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(Roubam e vendem legalmente nos Antiquários e nos Mercados de Lisboa)

 

O Mercado 24 de Julho foi construído após a demolição em 1864 do Forte de S. Paulo sito na Ribeira do mesmo nome.

A população que gosta de manter os velhos nomes chamou-lhe desde logo Mercado da Ribeira nome pelo qual ainda hoje é conhecido.

O projecto aprovado em 1882 foi o do engenheiro Ressano Garcia e a ele deveu-se os seus aspectos inovadores: edifício de estrutura em ferro e no interior um amplo corredor central onde os vendedores dispunham de água em abundância, o que permitiu pela primeira vez em Portugal cuidados de higiene num mercado abastecedor.

Onze anos após a inauguração um violento incêndio destruí-o totalmente.

A reconstrução dirigida por Ressano Garcia demorou de 1902 a 1930 sendo construída a cúpula tal como ainda hoje existe. Os lisboetas ficaram tão espantados ao verem uma cúpula num mercado e ainda com frescos com motivos hortícolas pintados pelo italiano Gabriel Constanti que lhe chamavam a Mesquita do Nabo.

Nos finais do séc. XX o Mercado da Ribeira foi morrendo lentamente como centro distribuidor e de venda ao público de carnes, peixes, frutos e legumes frescos; ao sábado era um regalo ver os camponeses venderem também as estacas (futuras árvores) correspondentes aos frutos que comercializavam.

Nasceu um novo espaço, após intervenção das obras camarárias, dedicado mais ao prazer dos sentidos. O denso odor tradicional foi abafado por filas e filas de flores, vapores de cozinha de restaurante, artesanato, filatelia e bailes à moda antiga.

Atraídos como muitos outros lisboetas aos vários eventos culturais realizados no Mercado e apaixonados pela azulejaria de Lisboa começámos a notar o desaparecimento de azulejos pertencentes aos centros dos painéis – técnica habitual de roubo para uma maior rentabilidade de venda - e em sua substituição cimento e tinta branca. Dada a importância destes painéis únicos considerámos importantíssimo denunciar esta situação através desta página web e assinalar as diferenças destes painéis no espaço de um mês nas fotografias que expomos abaixo:

 

 

Painéis

19 Setembro 2004

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Painéis

 

24 Outubro 2004

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Após algumas fotografias – como estas que vos apresentamos -, foi preferível não voltar lá mais, pelo menos tão cedo, pois a situação tornava-se ameaçadora e segurança é coisa que não existe; a tal ponto que normalmente poder-se-ão encontrar muitos azulejos roubados na Feira da Ladra, em lojas de artesanato, em antiquários… e não nos admira nada que se venham a ver estes no Mercado da Ribeira de Lisboa, sítio de onde foram transladado-roubados.

Há já senhorios em Lisboa - e o edifício da Sociedade Protectora de Animais é um exemplo disso -, que preferiram mandá-los retirar das suas fachadas e interiores comuns a serem espoliados do seu património.

 

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Mais sobre o Mercado da Ribeira:

 

Legumes e Bailes de Rendas

 

 

 

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Texto e fotografias de Cremilde Barreiros